Ariadne Teles, Thainara Rogério e Beatriz Moreira de Oliveira/Fotos: Reprodução das redes sociais
Brasileiras em flotilha humanitária rumo a Gaza são detidas por Israel
Brasil e outros nove países classificaram ação como violação do direito internacional.
Atualizado há 8 horas
Três brasileiras que integravam a Flotilha Global Sumud (GSF), missão humanitária que seguia em direção à Faixa de Gaza, foram detidas por forças israelenses nesta segunda-feira (18/05), após a interceptação da embarcação em alto-mar. Ariadne Teles, Beatriz Moreira de Oliveira e Thainara Rogério estavam entre os participantes da iniciativa internacional, que buscava romper o bloqueio imposto ao território palestino.
Segundo a organização responsável pela flotilha, os ativistas foram levados por militares israelenses para um porto localizado na Palestina ocupada. A entidade informou que centenas de pessoas foram apreendidas, incluindo médicos, jornalistas e representantes de mais de 40 países.
Nas redes sociais da Global Sumud, as brasileiras afirmaram que participavam de uma “missão legítima” para denunciar o que classificaram como “cerco ilegal” a Gaza. Elas acusaram Israel de realizar uma interceptação violenta e pediram ao governo brasileiro que atuasse pela libertação imediata dos passageiros e pela continuidade da missão humanitária.
O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), do qual Beatriz Moreira de Oliveira faz parte, informou que a ação ocorreu em águas internacionais, fora da jurisdição israelense. O movimento também declarou que milhares de pessoas já teriam sido presas em operações semelhantes envolvendo missões humanitárias destinadas à população palestina.
Em nota, a Global Sumud demonstrou preocupação com a segurança dos detidos e citou relatos de episódios anteriores envolvendo interceptações de embarcações. A organização mencionou denúncias de abuso físico, violência sexual e tortura atribuídas às forças israelenses em operações passadas contra ativistas internacionais.
A repercussão diplomática foi imediata. Em declaração conjunta divulgada nesta segunda-feira, os governos do Brasil, Bangladesh, Colômbia, Espanha, Indonésia, Jordânia, Líbia, Maldivas, Paquistão e Turquia condenaram o que chamaram de “ataques israelenses” contra a embarcação humanitária.
O documento classificou como “catastrófico” o sofrimento enfrentado pela população palestina em Gaza e definiu a detenção dos ativistas como “arbitrária”. Os países também afirmaram que os repetidos ataques contra iniciativas humanitárias pacíficas representam desrespeito ao direito internacional e à liberdade de navegação.
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil manifestou preocupação com a segurança e a integridade física dos participantes civis e exigiu a libertação imediata dos detidos. O Itamaraty também relembrou episódios anteriores envolvendo flotilhas humanitárias interceptadas por Israel.
Na rede social X, o Ministério das Relações Exteriores de Israel afirmou que o país “não permitirá qualquer violação do bloqueio naval legal em Gaza”, justificando a ação militar contra a embarcação.
O caso também mobilizou autoridades europeias após a detenção de Margaret Connolly, irmã da presidenta da Irlanda, Catherine Connolly. O Ministério das Relações Exteriores e Comércio Exterior irlandês informou que acompanha a situação junto à embaixada do país em Israel e que busca garantir assistência consular e a libertação dos cidadãos envolvidos.

Rayza Espírito Santo
Redatora, repórter de editorias diversas, social media e fotojornalista.
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