Presidente Lula (PT) e senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ)/Fotos: Ricardo Stuckert e Carlos Moura
Eleições presidenciais: Flávio Bolsonaro questiona pesquisa após avanço de Lula
Levantamento indica aumento da rejeição ao senador e crescimento de Lula em cenários de primeiro e segundo turno.
Atualizado há 9 horas
A pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para tentar suspender a divulgação da pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada nesta terça-feira (19/05), que apontou piora no desempenho eleitoral do parlamentar após a repercussão dos áudios envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Na representação protocolada pela defesa, o PL pede a suspensão do levantamento e a apuração de eventual “pesquisa eleitoral fraudulenta”. O partido sustenta que o questionário teria sido elaborado de forma “indutiva”, criando associação entre Flávio Bolsonaro, Daniel Vorcaro e o escândalo do Banco Master.
Segundo a coordenação jurídica da pré-campanha, o instituto deixou de observar a neutralidade esperada em levantamentos eleitorais destinados à divulgação pública. A defesa afirma que o questionário apresentou “estímulos capazes de influenciar a percepção do entrevistado” antes das perguntas sobre imagem, rejeição e viabilidade eleitoral.
O PL questiona especialmente o fato de oito das 48 perguntas tratarem do caso Banco Master e da relação entre Flávio e Vorcaro. A representação também critica a ordem das perguntas e o uso do áudio da conversa entre o senador e o banqueiro durante a pesquisa.
“O questionário constrói uma progressão: medo eleitoral; comparação Lula x Flávio; fraude financeira; Banco Master; Daniel Vorcaro; conversas vazadas; possível envolvimento direto; impacto sobre voto; enfraquecimento da candidatura; retirada da candidatura”, argumenta o partido na ação enviada ao TSE.
A defesa sustenta ainda que a metodologia adotada “contaminou e induziu as respostas dos entrevistados” e afirma existir risco de divulgação de uma pesquisa considerada fraudulenta. Até o momento, porém, a ação não aponta adulteração de dados, manipulação estatística ou fraude material na coleta das respostas, concentrando os questionamentos na formulação do questionário.
A acusação de “pesquisa fraudulenta” chamou atenção no meio jurídico-eleitoral por exigir, em geral, demonstração robusta de irregularidades metodológicas ou manipulação deliberada dos resultados.
Pesquisa mostra avanço de Lula
O levantamento AtlasIntel/Bloomberg foi realizado entre os dias 13/05 e 18/05, após a divulgação dos áudios entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. Foram entrevistadas 5.032 pessoas, com margem de erro de um ponto percentual. A pesquisa foi registrada no TSE sob o número BR-06939/2026.
Segundo os dados divulgados, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ampliou a vantagem sobre Flávio Bolsonaro nos cenários testados para as eleições presidenciais de 2026.
No cenário de segundo turno, Lula aparece com 48,9% das intenções de voto contra 41,8% de Flávio Bolsonaro. Em abril, os dois estavam tecnicamente empatados. O número de indecisos e votos nulos subiu para 9,3%.
Já no primeiro turno, Lula alcança 47%, enquanto Flávio caiu para 34,3%, recuo de 5,4 pontos percentuais após a divulgação dos áudios. O empresário e ativista do MBL Renan Santos aparece em terceiro lugar, com 6,9%, seguido por Romeu Zema (Novo), com 5,2%, e Ronaldo Caiado (PSD), com 2,7%.
A pesquisa também aponta crescimento da rejeição ao senador. Segundo a AtlasIntel, 52% dos entrevistados afirmaram que não votariam em Flávio Bolsonaro “de jeito nenhum”, maior índice entre os pré-candidatos testados. Lula aparece com rejeição de 50,6%.
Outro dado destacado pelo levantamento é o aumento do temor de uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro. O receio em relação ao senador cresceu dois pontos percentuais desde abril, enquanto o medo de uma nova vitória de Lula caiu quase sete pontos no mesmo período.
Caso Master ganhou força após vazamento de áudio
O desgaste eleitoral ocorreu após a divulgação de mensagens e áudios envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, banqueiro preso sob acusação de comandar fraudes bilionárias no Banco Master, instituição liquidada pelo Banco Central em novembro.
Segundo reportagem do The Intercept Brasil, Flávio teria negociado com Vorcaro cerca de US$ 24 milhões — aproximadamente R$ 134 milhões — para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Parte dos recursos, segundo a publicação, teria sido liberada entre fevereiro e maio deste ano.
Nos áudios divulgados, o senador aparece cobrando a liberação de parcelas atrasadas. Em vídeo publicado nas redes sociais, Flávio admitiu as conversas, mas afirmou que buscava investidores privados para financiar uma cinebiografia do pai.
Investigadores também apuram se parte dos recursos teria sido utilizada para custear despesas do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL) nos Estados Unidos.
A AtlasIntel informou que 95,6% dos entrevistados afirmaram ter tomado conhecimento do vazamento dos áudios e 93,9% disseram ter ouvido o conteúdo. Entre os que conheciam o caso, 55% consideraram os áudios evidência de uma investigação legítima sobre possíveis irregularidades. Outros 33% disseram acreditar que o episódio representa uma tentativa de prejudicar Flávio Bolsonaro.
A pesquisa também mostrou mudança na percepção pública sobre o escândalo do Banco Master. Em março, 28,3% dos entrevistados associavam o caso ao grupo político de Jair Bolsonaro. Em maio, esse percentual subiu para 43,3%. Já 33% atribuíram maior responsabilidade a aliados do presidente Lula.
Reação política e defesa do instituto
Nos bastidores do PL, aliados admitem reservadamente que a judicialização da pesquisa pode ampliar ainda mais a repercussão negativa dos resultados.
A avaliação interna é de que a ofensiva contra o levantamento acaba reforçando a percepção de desgaste da pré-campanha de Flávio Bolsonaro diante do caso Master.
O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio, criticou duramente o instituto.
“Uma pesquisa não pode virar peça tendenciosa disfarçada de levantamento técnico. Ao expor milhares de entrevistados a um material que é alvo de disputa política, o instituto deixou de apenas medir a opinião pública e passou a interferir no ambiente eleitoral”, afirmou.
O ex-deputado Eduardo Bolsonaro também atacou o levantamento nas redes sociais. “Instituto de pesquisa que influencia a pesquisa é o quê? Nem pesquisa é…”, escreveu.
O CEO da AtlasIntel, Andrei Roman, rebateu as acusações e afirmou que o áudio foi reproduzido apenas após a conclusão do questionário principal.
“O áudio é reproduzido depois da conclusão do questionário da pesquisa e, portanto, não tem nenhum impacto sobre os cenários eleitorais”, declarou.
Segundo Roman, o objetivo era medir em tempo real os efeitos do episódio sobre a percepção do eleitorado. “AtlasIntel sempre mantém uma postura imparcial, que caracteriza nosso trabalho não apenas no Brasil, mas em nível global”, afirmou.
A representação do PL ainda aguarda análise da Justiça Eleitoral.

Rayza Espírito Santo
Redatora, repórter de editorias diversas, social media e fotojornalista.
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