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Imagem da notícia Prédio da Unicamp e imagem de vírus H1N1/Fotos: Divulgação e reprodução microscópica

Pesquisadora é presa por desvio de material biológico em área de alta segurança em São Paulo

Amostras de influenza e outros vírus foram levadas sem autorização entre laboratórios; Polícia Federal afirma que não houve contaminação externa.

Atualizado há 2 horas

A Polícia Federal investiga o furto e transporte irregular de material biológico do Laboratório de Virologia do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), após o desaparecimento de amostras virais, incluindo os subtipos H1N1 e H3N2, causadores da gripe tipo A. O material ficou desaparecido por 40 dias e foi localizado em diferentes unidades da própria universidade.

A principal suspeita é a professora doutora Soledad Palameta Miller, presa em flagrante no dia 23/03. Ela foi liberada após audiência de custódia e responderá ao processo em liberdade, mediante medidas cautelares. Entre as acusações estão furto, transporte não autorizado de material geneticamente modificado e exposição da saúde pública a risco.

Pesquisadora e marido são investigados pela PF, que descarta risco à população/Foto: Divulgação
Pesquisadora e marido são investigados pela PF, que descarta risco à população/Foto: Divulgação

De acordo com a investigação, as amostras foram retiradas de um laboratório classificado como nível 3 de biossegurança (NB-3), considerado o mais alto em operação no Brasil para estudo de agentes infecciosos. Esse tipo de instalação exige protocolos rigorosos de acesso e manipulação, por lidar com micro-organismos que podem causar doenças graves e se disseminar pelo ar, embora haja medidas de controle disponíveis.

O desaparecimento foi identificado na manhã de 13/02/26 por uma pesquisadora autorizada. A partir disso, a Polícia Federal iniciou as apurações que levaram ao cumprimento de mandados de busca em laboratórios da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) no dia 23 de março. As atividades no local foram temporariamente interrompidas durante a operação.

As amostras foram encontradas distribuídas em três pontos distintos: em um freezer lacrado na FEA, em um laboratório de doenças tropicais (onde havia frascos manipulados e abertos) e em um laboratório de cultura de células, onde recipientes foram descartados em lixeiras comuns. Parte do material já havia passado por processo de esterilização.

Segundo a Polícia Federal, a docente não possuía autorização para acessar os espaços onde o material foi encontrado, mas conseguia entrar com apoio de outros pesquisadores. Imagens de câmeras de segurança indicam que a retirada ocorreu em curto intervalo de tempo.

Laboratório de virologia da Unicamp, de onde as amostras foram furtadas/Foto: Estevão Mamédio
Laboratório de virologia da Unicamp, de onde as amostras foram furtadas/Foto: Estevão Mamédio

Além dos vírus influenza, havia outras amostras de origem humana e suína. Todo o material foi encaminhado ao Ministério da Agricultura e Pecuária, que mantém sob sigilo a identificação completa dos agentes envolvidos.

O trajeto percorrido pelas amostras dentro do campus foi de cerca de 350 metros, distância que pode ser feita em poucos minutos a pé, passando por áreas de circulação de estudantes e funcionários. Apesar disso, a Polícia Federal afirma que não houve contaminação externa e que os vírus permaneceram restritos ao ambiente da universidade.

O caso também envolve o médico veterinário Michael Edward Miller, marido da pesquisadora, que é investigado por possível participação. A corporação não detalhou o papel dele nas suspeitas.

A defesa de Soledad sustenta que não há materialidade para as acusações e afirma que ela utilizava os laboratórios por não dispor de estrutura própria para pesquisa. A universidade instaurou procedimento interno e informou colaborar com as autoridades.

O laboratório de Virologia da Unicamp  tem nível de biossegurança 3, o mais alto disponível no Brasil/Foto: Estevão Mamédio
O laboratório de Virologia da Unicamp tem nível de biossegurança 3, o mais alto disponível no Brasil/Foto: Estevão Mamédio

Os vírus H1N1 e H3N2, encontrados entre as amostras, são classificados como agentes de nível 2 de biossegurança, com risco moderado. Eles estão associados à gripe sazonal, comum em períodos de inverno. Já o ambiente de onde foram retirados opera com exigências mais rígidas, compatíveis com agentes de maior risco.

O episódio ocorre em meio à ampliação da infraestrutura científica em Campinas, onde está em construção o laboratório Orion, que será o primeiro do país com nível máximo de biossegurança (NB-4), voltado ao estudo de patógenos de alta letalidade.

Foto do Jornalista

Rayza Espírito Santo

Redatora, repórter de editorias diversas, social media e fotojornalista.

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