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Vírus Nipah: casos de infecção na Índia fazem países asiáticos ampliarem controle sanitário nas fronteiras

Cinco infecções foram confirmadas em Bengala Ocidental; OMS descarta restrições a viagens.

Atualizado há 55 dias

Países asiáticos intensificaram protocolos sanitários em aeroportos após a confirmação de cinco casos do vírus Nipah na Índia. As infecções foram registradas entre profissionais de saúde no estado de Bengala Ocidental, no nordeste do país.

Tailândia, Nepal e Taiwan retomaram medidas semelhantes às adotadas durante a pandemia de Covid-19, com verificação de sintomas, exigência de declarações de saúde e monitoramento de passageiros. Segundo a Radio França Internacional (RFI), Indonésia e Tailândia ampliaram a triagem em voos provenientes da Índia. Em Bangcoc, scanners térmicos foram instalados para monitorar passageiros vindos de Bengala Ocidental.

Não existe vacina ou cura/Foto: Divulgação
Não existe vacina ou cura/Foto: Divulgação

Myanmar recomendou que seus cidadãos evitem viagens não essenciais à região afetada e orientou que pessoas com sintomas procurem atendimento médico ao retornar. Vietnã e China também anunciaram reforço na vigilância em fronteiras e unidades de saúde, além de ampliar a capacidade de testagem.

Em comunicado divulgado na terça-feira (27/01), o Ministério da Saúde da Índia informou que ações de vigilância permitiram conter rapidamente o risco de disseminação. Quase 200 pessoas que tiveram contato direto com os pacientes foram colocadas em quarentena e testaram negativo. O estado de saúde dos infectados não foi detalhado.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou, na sexta-feira (30/01), que não há necessidade de restringir viagens ou comércio com a Índia. Segundo o órgão, o risco de propagação é considerado baixo neste momento, embora o vírus esteja na lista de patógenos prioritários devido ao potencial epidêmico.

Descoberto em 1999, na Malásia, o vírus Nipah é uma doença rara e altamente letal, com taxa de mortalidade que varia entre 40% e 75%, segundo a OMS. Desde sua identificação, surtos são registrados quase todos os anos em países do Sul e Sudeste da Ásia, especialmente em Bangladesh e na Índia.

O morcego do gênero Pteropus é o vetor do vírus/Foto: Reprodução
O morcego do gênero Pteropus é o vetor do vírus/Foto: Reprodução

O vírus tem como hospedeiros naturais morcegos frugívoros do gênero Pteropus, comuns no continente asiático e inexistentes no Brasil. A transmissão pode ocorrer pelo contato direto com animais infectados, como morcegos e porcos, pela ingestão de alimentos contaminados (incluindo frutas e seiva de palmeira) ou entre humanos, por meio de secreções respiratórias e contato com fluidos corporais.

Após a infecção, o período de incubação varia de quatro a 14 dias, podendo chegar a 45 dias em casos raros. Os sintomas iniciais se assemelham aos de uma gripe, com febre, dor de cabeça, dor de garganta, tosse e mal-estar. Em quadros graves, a doença pode evoluir para pneumonia, encefalite, convulsões, confusão mental e coma. Não há vacina nem medicamento específico; o tratamento é de suporte, voltado ao controle dos sintomas.

A infectologista Rosana Ritchmann avaliou que não há motivo para preocupação no Brasil neste momento: “Não tem nenhum motivo para a gente ficar preocupado aqui. Se alguém agora tiver quadro respiratório, com tosse, dor de cabeça, não tem nada a ver com esse vírus”.

Ela ponderou, no entanto, que autoridades sanitárias devem manter planejamento preventivo para eventual suspeita envolvendo viajantes que retornem da região afetada, com definição de protocolos de isolamento, monitoramento de contatos e diagnóstico laboratorial, que pode incluir testes como RT-PCR e sorologia.

Especialistas avaliam que, apesar do potencial epidêmico, o vírus tende a permanecer restrito a áreas onde há circulação dos morcegos hospedeiros e registros recorrentes de surtos. Até o momento, não há casos confirmados fora da Índia nesta ocorrência recente.

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Rayza Espírito Santo

Redatora, repórter de editorias diversas, social media e fotojornalista.

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