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Imagem da notícia Foto: Divulgação

Ministério da Saúde suspende temporariamente vacina contra dengue do Instituto Butantan

Medida atinge apenas o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan; Ministério da Saúde afirma que não há confirmação de relação entre os casos graves e a vacina.

Atualizado há 6 horas

O Ministério da Saúde anunciou a suspensão temporária da vacinação contra a dengue com o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan nesta segunda-feira (08/06). A decisão foi tomada após o registro de 42 casos de reações adversas com sintomas mais severos entre mais de 500 mil doses aplicadas no país. Três pessoas precisaram ser hospitalizadas e duas morreram.

Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ainda não há evidências que permitam associar os casos graves à vacina. A interrupção foi adotada como medida de precaução para permitir uma investigação mais aprofundada, conduzida pelo Ministério da Saúde, Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e Instituto Butantan.

A suspensão não afeta a vacina Qdenga, produzida pela farmacêutica Takeda e aplicada normalmente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O imunizante do Butantan foi incorporado ao Programa Nacional de Imunizações (PNI) em janeiro e vinha sendo utilizado em municípios-piloto de São Paulo, Ceará, Minas Gerais e Tocantins, além de profissionais da atenção primária à saúde.

Dos mais de 500 mil vacinados, 3.703 pessoas apresentaram sintomas semelhantes aos da dengue, correspondendo a 0,7% do total. Entre elas, 42 tiveram sinais de alarme, como dor abdominal, vômitos persistentes e sangramentos, o equivalente a 0,008% dos imunizados. Os episódios foram considerados raros e não haviam sido observados nos estudos clínicos.

Os três casos mais graves envolveram duas mulheres, de 39 e 48 anos, e um homem de 58 anos. Uma das pacientes recebeu alta após internação em UTI, enquanto os outros dois evoluíram para óbito.

O Comitê Interinstitucional de Farmacovigilância de Vacinas e outros Imunobiológicos (Cifavi) e a Câmara Técnica de Assessoramento em Imunizações (Ctai) recomendaram a interrupção temporária da vacinação para que sejam avaliados histórico clínico, doenças preexistentes, fatores de risco individuais, possíveis falhas de imunização e outras causas alternativas.

O Ministério da Saúde informou que pessoas vacinadas nos últimos 21 dias terão acompanhamento especial e orientou a procura por atendimento médico em caso de agravamento de sintomas como febre, dor abdominal intensa, vômitos persistentes, tontura, sangramentos, sonolência excessiva ou sinais de desidratação.

Em nota, o Instituto Butantan afirmou que a medida visa garantir a segurança da população enquanto a estratégia vacinal é reavaliada. A instituição destacou que estudos publicados em revista científica apontaram eficácia global de 79,6% contra a dengue e de 89% contra formas graves da doença, além de resultados positivos do monitoramento realizado nos municípios onde houve vacinação em massa.

Foto do Jornalista

Rayza Espírito Santo

Redatora, repórter de editorias diversas, social media e fotojornalista.

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