Os próprios agressores registraram o espancamento da vítima/Foto: Reprodução
Polícia indicia 13 pessoas envolvidas em espancamento que matou ciclista no Rio
Cláudio Rafael Landeiro Moreira, de 37 anos, morreu após ser agredido por cerca de nove minutos; um dos indiciados pelo homicídio está foragido.
Atualizado há 54 minutos
A Polícia Civil concluiu o inquérito sobre a morte do ciclista Cláudio Rafael Landeiro Moreira, de 37 anos, espancado em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro, e indiciou 13 pessoas pelo episódio. A investigação foi encerrada na noite de segunda-feira (07/09) pelo delegado Angelo Lage, da 12ª DP (Copacabana).
Cláudio foi agredido em 12/08, após ser acusado injustamente de furtar uma bicicleta. Ele estava com a bicicleta da irmã quando parou em frente a uma loja de brinquedos e a uma farmácia na Rua Barata Ribeiro. Segundo a investigação, o ciclista foi cercado por seguranças particulares e agredido durante cerca de nove minutos, com socos, chutes e dezenas de golpes de madeira.
A polícia analisou mais de 12 horas de imagens de câmeras de segurança e identificou cinco pessoas diretamente envolvidas no homicídio. Os dois seguranças, dois entregadores de aplicativo e um quinto homem foram indiciados por homicídio triplamente qualificado. O quinto suspeito, identificado como Wellington Luiz Santos de Souza, está foragido.
Segundo o delegado, Wellington aparece nas imagens saindo de um carro e chutando a cabeça de Cláudio. Ele teria perguntado aos entregadores se a vítima era um ladrão e, após receber uma resposta afirmativa, teria dito: “Ladrão tem que morrer mesmo”.
Outros oito envolvidos também foram indiciados. Um ciclista que aparece nas imagens e não presta auxílio à vítima responderá por omissão de socorro. Uma jovem foi indiciada por lesão corporal por entregar o bastão de madeira utilizado durante as agressões. Os demais foram responsabilizados por exercício ilegal da profissão, relacionado à atuação irregular na segurança privada da região.
Cláudio sofreu traumatismo cranioencefálico, hemorragia interna e rompimento de órgãos. Socorrido pelo Corpo de Bombeiros, ele foi levado ao Hospital Municipal Miguel Couto, mas não resistiu aos ferimentos.
Quatro pessoas foram presas durante a investigação: dois entregadores do iFood e dois seguranças. Um dos seguranças, Davi dos Santos Machado, admitiu posteriormente ter participado das agressões e classificou as pauladas como um “ato insano”. Em depoimento, afirmou que não havia informação concreta de que a bicicleta tivesse sido furtada e que a vítima não ofereceu resistência.
A Polícia Civil também apura a possível participação de comerciantes da região no financiamento de um esquema irregular de segurança privada em Copacabana.
Com o encerramento do inquérito, o caso será encaminhado ao Ministério Público, que deverá avaliar as acusações e decidir se apresenta denúncia à Justiça.

Rayza Espírito Santo
Redatora, repórter de editorias diversas, social media e fotojornalista.
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