Da Cunha é deputado federal pelo partido União Brasil e candidato à reeleição/Foto: Reprodução
Delegado é demitido após encenar resgate de vítima em SP
Processo aponta que policial mandou vítima voltar ao cativeiro para reencenar operação e produzir imagens para divulgação nas redes sociais..
Atualizado há 1 horas
O delegado Carlos Alberto da Cunha, conhecido como Delegado Da Cunha, da Polícia Civil de São Paulo, foi demitido pelo governador do estado, Tarcísio de Freitas (Republicanos). A decisão foi publicada no Diário Oficial na quinta-feira (03/09) e tem efeito imediato. O processo que resultou na perda do cargo envolve a acusação de que o policial encenou uma operação de resgate para produzir conteúdo destinado às redes sociais.
O caso ocorreu em julho de 2020, quando um homem sequestrado foi localizado em um imóvel na favela da Nhocuné, na zona leste de São Paulo. Segundo depoimentos prestados à Corregedoria, policiais já haviam encontrado o cativeiro, prendido um suspeito e libertado a vítima quando Da Cunha teria determinado que o homem fosse colocado novamente dentro do imóvel, na presença do sequestrador.
A intenção, segundo os relatos, era regravar a operação diante das câmeras de uma equipe levada pelo próprio delegado. No vídeo divulgado posteriormente, Da Cunha aparece comandando a invasão do imóvel e o resgate, como se tivesse descoberto o cativeiro, prendido o criminoso e libertado a vítima.
As imagens foram distribuídas a emissoras de televisão e publicadas nas redes sociais do delegado, que já acumulava milhões de seguidores. Policiais ouvidos pela Corregedoria afirmaram ter tentado impedir a encenação, sem sucesso. A gravação teria sido refeita porque, na primeira versão, o sequestrador aparecia algemado, o que poderia revelar a encenação.
A vítima afirmou posteriormente que aceitou retornar ao imóvel porque teria sido informada de que a reconstituição serviria para produzir uma prova para a investigação. Depois, descobriu que as imagens seriam utilizadas pelo delegado em seu canal no YouTube. Também relatou ter considerado perigoso permanecer novamente ao lado do sequestrador.
Da Cunha reconheceu que a operação exibida havia sido encenada, mas alegou que se tratava de uma “reprodução simulada” dos fatos. Especialistas ouvidos pela Folha de S.Paulo, porém, questionaram a justificativa e afirmaram que esse tipo de procedimento deve ser realizado por peritos.
A demissão foi decidida por Tarcísio, segundo integrantes do governo ouvidos pela Folha. A punição encerra uma série de processos disciplinares envolvendo o delegado, que já havia escapado de duas propostas anteriores de demissão. Em um dos casos, foi acusado de atribuir a si a prisão de um suposto integrante do PCC para produzir conteúdo na internet; no outro, foi investigado por ataques públicos a superiores da Polícia Civil.
Da Cunha é deputado federal pelo União Brasil e está afastado das funções policiais para exercer o mandato. Candidato à reeleição, ele ainda não se manifestou publicamente sobre a demissão.
Fonte: ICL Notícias

Rayza Espírito Santo
Redatora, repórter de editorias diversas, social media e fotojornalista.
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