Foto: Divulgação.
Site internacional aponta disco de Fernando Pellon como um dos melhores do Brasil
Disco “Cadáver pega fogo durante o velório” está no ranking do portal The Albums Colector
Atualizado há 1 horas
Uma ótima notícia acaba de chegar para o compositor Fernando Pellon. O disco “Cadáver pega fogo durante o velório” está no ranking The Greatest Brazilian Albums Ever Made, lançado neste mês de setembro pelo portal de crítica e conteúdo musical The Albums Colector, de Tenerife, nas Ilhas Canárias, onde ganha destaque internacional como um dos 49 melhores discos de todos os tempos lançados no Brasil.
O vinil, lançado por Fernando Pellon em 1984, é citado como uma das raridades da música popular brasileira, ao lado de discos de artistas como Belchior (“Alucinação”, 1976), Chico Buarque (“Construção”, 1971), Caetano Veloso (“Transa”, 1972), Chico Sciense & Nação Zumbi (“Da lama ao caos”, 1994), Elis Regina (“Falso brilhante”, 1976), Gal Costa (“Gal Costa”, 1969) e Milton Nascimento & Lô Borges (“Clube da esquina”, 1972), entre outras produções musicais consideradas icônicas.
“Do rock psicodélico dos anos 70 ao funk espiritual capaz de realmente curar a alma, este é o som de uma cultura que transforma alegria, dor e sobrevivência em puro ritmo”, diz um trecho do texto que explica a escolha dos discos. “Existe um universo vasto e infinito escondido na música brasileira que, honestamente, reprograma o seu cérebro no instante em que você começa a explorá-lo. É algo muito mais profundo do que a bossa nova polida que se ouve em cafeterias.”
Proposta sui generis
Iuri Freire, criador da página “Disco em Cena”, onde divulga comentários sobre arte e música, teve acesso à lista publicada pelo The Albums Colector e falou a respeito do disco “Cadáver pega fogo durante o velório”, o qual ele teve contato pela primeira vez durante “andanças pela internet, em época de Orkut,” antes de o Instagram se tornar a rede social mais badalada.
“De cara, não vou negar que o que me chamou a atenção foi o título do disco que, inclusive, fez com que eu suspeitasse que se tratasse de um trabalho em tom de paródia. Qual não foi a minha surpresa ao ouvir e constatar que era um disco com uma proposta bastante sui generis e original, algo muito diferente do que havia sido (e continuou sendo) feito na música brasileira. Desde então, virei um grande entusiasta de ‘Cadáver pega fogo durante o velório’”, afirmou Iuri.
Ao receber a notícia, Fernando Pellon disse que não esperava, mas sentia-se feliz pelo reconhecimento. “Fiquei surpreso e feliz ao saber do ‘Cadáver pega fogo durante o velório’ na lista da plataforma The Albums Colector a respeito dos 49 melhores álbuns já feitos no Brasil. Essa é uma oportunidade extraordinária para a divulgação do meu trabalho, especialmente no exterior”.
Ficha técnica do disco
“Cadáver pega fogo durante o velório” ( https://fernandopellon.com.br/album/cadaver-pega-fogo-durante-o-velorio/) tem nove faixas e foi produzido pelo jornalista e crítico musical Roberto Moura, em 1983, pelo selo independente Vento de Raio, tendo sido agraciado com o troféu Chiquinha Gonzaga, da Associação dos Produtores Independentes de Discos (APID). O lançamento oficial ocorreu em 1984.
A base instrumental é formada por Raphael Rabello (violão sete cordas), Helvius Vilela (piano), Marcelo Bernardes (sopros), Oscar Bolão (bateria) e o violonista João de Aquino, músico responsável pela maioria dos arranjos.
As músicas
. Porta afora - faz referência a um homem expulso de casa pela mulher e que posteriormente descobriu que estava com câncer. Ele, que havia feito um seguro de vida, pretendeu usar a pensão alimentícia como uma instância de controle na relação, mesmo após o término amoroso (“um lar sem varão não vigora”).
. Altivez - o homem assume uma posição de submissão total diante da relação abusiva de sua mulher. Ele procura controlá-la para conseguir suportar o martírio até o fim sem implorar por piedade (“só não quero chorar/ para ao mundo poder mostrar/ as marcas desse amor com altivez”).
. Com todas as letras - narra a trajetória de um suicida consciente, cujo ato voluntário de ingerir veneno e de seccionar sua jugular se transforma em uma espécie de passe livre para a anarquia total e libertação do jugo da ditadura militar (“a agonia de um suicida/ é a mais fiel expressão da liberdade/ uma nau sem amarras/ que os ventos da sorte/ conduzem ao porto, à morte”).
. Carne no jantar - discorre sobre o individualismo, a banalização da violência urbana e a apatia da classe média diante da tragédia humana representada por um atropelamento fatal (“com cuidado para não se impressionar/ porque, amor, hoje tem carne no jantar”).
. Cicatrizes - o homem assume que mantém um relacionamento apenas porque sua parceira atual se parece fisicamente com o amor de sua vida, que o abandonou (“Agora eis-me aqui com você/ por causa dela”).
. Vã esperança - afirma que o amor não enobrece. Pelo contrário, degrada, corrói e destrói, tal qual uma doença (“Ouvi dizer que o amor é como em certos casos de lepra/ o sujeito se estrepa em três tempos”).
. Tal como Nazareth - o eu lírico dispensa qualquer tentativa curativa de suas dores existenciais, preferindo o mesmo destino trágico e solitário do pianista Ernesto Nazareth (“Fingir tocar piano/ Tal como Nazareth/E terminar afogado/ Em algum lago anônimo”).
. Prazer qualquer - trata da noite e da boemia como fuga (“Povoando minha solidão/ Com algum rosto de mulher/ Saio em busca de um prazer qualquer”).
. Flores de plástico ao amanhecer - narra a desventura de um marido morto ao constatar que sua viúva deixou flores de plástico em seu túmulo no dia de Finados para nunca mais voltar lá (“Só sei que quando contemplei flores de plástico/Ao amanhecer/ Ornando a minha campa/ Quase levantei indignado/ A tampa do meu pesado ataúde”).

Sara Celestino
Repórter-fotográfica, atuando na produção de conteúdo com objetivo de compartilhar a melhor informação para manter você bem-informado! E-mail. gazetarj@gmail.com
Veja também
Mais
lidas- 1
Ingressos para o Rio Carnaval 2027 entram à venda nesta quinta (10)

- 2
Expo Rural Maricá terá oito shows nacionais no Espraiado

- 3
Ministro do STF determina retorno de Andrei Rodrigues à PF

- 4
BRICS discute integração de moedas digitais para pagamentos globais

- 5
Frente fria traz chuva e rajadas de vento a Maricá no fim de semana

Comentários (0)