Da esquerda para a direita: Flávio Bolsonaro e André Mendonça/Foto: Divulgação
TSE determina remoção de posts sobre suposto plano de Flávio Bolsonaro
Defesa do candidato também pediu busca de equipamentos de servidor acusado de compartilhar publicações.
Atualizado há 1 horas
O ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou, na sexta-feira (25/09), que X, Facebook, Instagram, TikTok e YouTube removam publicações que apresentem como verdadeira a informação de que Flávio Bolsonaro (PL) teria articulado a retirada do título de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida. A medida, solicitada pela defesa do candidato à Presidência, também alcança conteúdos futuros considerados substancialmente equivalentes.
Segundo a decisão, ficam fora da determinação textos jornalísticos e conteúdos de sátira e humor. As plataformas, porém, deverão identificar e retirar publicações enquadradas na ordem sem a necessidade de uma nova decisão judicial específica. O descumprimento pode resultar em multa de R$ 50 mil por dia para cada empresa.
A decisão também determinou a remoção de uma lista de publicações apresentada pela campanha. Entre os conteúdos citados estão posts de Leonardo Boff, Erika Hilton (PSOL-SP), Rogério Correia (PT-MG), Ivan Valente (PSOL-SP), Jean Wyllys, MST e outros perfis. Também aparecem publicações relacionadas ao perfil @santuarionacional, ligado ao Santuário Nacional de Aparecida.
A controvérsia envolve o Projeto de Lei 2.623/2007, já arquivado pela Câmara dos Deputados. A proposta, de autoria do então deputado Victório Galli Filho, previa substituir a expressão “Padroeira do Brasil” por “Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”. O texto foi rejeitado e arquivado em agosto de 2008. Galli posteriormente foi nomeado assessor especial da Presidência durante o governo Jair Bolsonaro, em 2019.
Flávio Bolsonaro negou ter apresentado ou apoiado proposta para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. De acordo com o levantamento apresentado pela campanha ao TSE, a narrativa apareceu em 2.086 publicações de 1.674 contas, com mais de 21 milhões de visualizações.
A ordem também determina que as plataformas utilizem ferramentas de correspondência de imagem para remover cópias de um card que associa Flávio à suposta articulação. Novos conteúdos poderão ser comunicados diretamente às empresas pela campanha, sem uma nova ordem judicial.
Campanha pede prisão de servidor do Planalto
Paralelamente, a defesa de Flávio Bolsonaro apresentou ao Ministério Público Eleitoral um pedido de prisão preventiva e de busca e apreensão contra George Marques, coordenador-geral de Estratégia e Informação da Presidência.
Segundo a representação, o servidor teria republicado no X conteúdos relacionados à suposta intenção de Flávio de retirar o título de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida. Uma publicação atribuída a Marques, feita em 25/09, dizia: “Parem de divulgar a retratação. Deixem o assunto rolar”. A mensagem foi posteriormente apagada.
Os advogados também pediram a apreensão do celular, computador e outros equipamentos utilizados pelo servidor. Como alternativa à prisão, solicitaram medidas cautelares, incluindo o afastamento da função pública e a proibição de novas manifestações nas redes sociais sobre o episódio.
A defesa afirma que os fatos podem configurar crimes previstos no Código Eleitoral e no Código Penal.
A Secretaria de Comunicação da Presidência contestou as alegações. Em nota, afirmou que a manifestação atribuída a Marques ocorreu “em caráter estritamente pessoal”, por meio de perfil particular, fora do horário de expediente e com equipamento próprio. A Secom também classificou o pedido de prisão como “injusto e arbitrário” e afirmou que o governo defende a liberdade de expressão e de religião.
O caso reúne, portanto, a determinação do TSE para remoção de conteúdos sobre a alegação envolvendo Nossa Senhora Aparecida e uma representação da campanha de Flávio Bolsonaro contra um servidor do Palácio do Planalto pela suposta continuidade da divulgação do tema.

Rayza Espírito Santo
Redatora, repórter de editorias diversas, social media e fotojornalista.
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