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Imagem da notícia Fotos: Ricardo Stuckert e Carlos Moura

Lula quer votar fim da 6x1 antes do 2º turno; Flávio resiste

Enquanto o petista defende jornada de 40 horas sem corte salarial, senador do PL apoia modelo de contratação por horas e questiona a votação antes da eleição.

Atualizado há 5 horas

A votação do fim da escala 6x1 no Senado se transformou em um dos principais pontos de divergência entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial. Enquanto Lula defende a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas sem diminuição dos salários, Flávio apoia uma proposta alternativa na qual a redução das horas trabalhadas pode resultar em redução proporcional da remuneração.

A diferença entre os dois modelos ganhou espaço no Congresso às vésperas do segundo turno, marcado para 25/10. A oposição ao governo tenta adiar a votação da PEC que acaba com a escala de seis dias de trabalho por um de descanso, enquanto a base governista busca acelerar a tramitação para concluir a análise antes da eleição.

Nesta quinta-feira (08/10), a proposta entra na terceira das cinco sessões de discussão exigidas pelo Senado antes da primeira votação.

Oposição tenta adiar votação

Senadores bolsonaristas se reuniram nesta quarta-feira (07/10) e decidiram pedir ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que a votação seja realizada somente depois do resultado da eleição presidencial.

A senadora Tereza Cristina (PP-MT) foi escolhida como porta-voz da oposição e se reuniu com Alcolumbre. O presidente do Senado, porém, afirmou que seguirá o regimento da Casa.

Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro e autor da proposta alternativa, disse que a oposição não é contrária à discussão sobre a jornada de trabalho, mas considera inadequado votar uma mudança dessa dimensão durante o período eleitoral.

"Não faz bem ao país votar um assunto dessa gravidade, dessa importância e com essa repercussão da maneira que está sendo votado", afirmou.

A oposição também avalia apresentar emendas e defende o cumprimento dos prazos previstos no regimento. Uma das possibilidades discutidas é realizar apenas o primeiro turno antes da eleição e deixar a conclusão da tramitação para depois de 25/10.

Alcolumbre afirmou, porém, que os senadores já não enfrentam uma disputa eleitoral para o Senado e podem votar a matéria sem a pressão de uma possível reeleição. Segundo ele, caso o plenário decida pela aceleração, o calendário poderá ser alterado.

Lula quer redução da jornada sem corte no salário

A proposta defendida por Lula prevê a redução gradual da jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem redução salarial, além de dois dias de repouso semanal remunerado.

O texto estabelece que, dois meses após a publicação da emenda, a jornada máxima passe para 42 horas semanais. Um ano depois, o limite seria reduzido para 40 horas.

O objetivo é substituir a escala 6x1 por um modelo com cinco dias de trabalho e dois dias de descanso, preservando a remuneração atual do trabalhador.

Lula transformou a medida em uma das principais bandeiras de sua campanha e vem cobrando publicamente uma posição de Flávio Bolsonaro sobre a votação.

Na terça-feira (06/10), o presidente afirmou que o senador é contrário ao fim da 6x1 e questionou os efeitos de uma eventual redução salarial para trabalhadores que dependem da renda mensal para pagar despesas básicas.

No dia seguinte, Lula voltou a cobrar uma definição de Flávio durante um encontro com parlamentares de esquerda.

"Eu quero saber como é que o Flávio Bolsonaro vai votar. Eu quero saber como é que ele vai orientar o PL para votar", declarou.

O presidente também associa a redução da jornada ao aumento do tempo de descanso e à rotina das famílias, especialmente das mulheres que conciliam emprego e tarefas domésticas.

Proposta de Flávio prevê salário proporcional às horas

Flávio Bolsonaro não é autor da PEC 12/2026, apresentada por Rogério Marinho, mas está entre os senadores que assinaram o texto. A proposta estabelece um regime diferente do previsto na PEC defendida pelo governo.

Na prática, a proposta permite que a jornada seja reduzida com uma redução proporcional da remuneração, já que o pagamento seria calculado de acordo com as horas efetivamente trabalhadas.

O mesmo princípio seria aplicado aos benefícios vinculados à remuneração, como 13º salário, férias e FGTS, que teriam seus valores calculados proporcionalmente no regime previsto pela PEC.

É justamente nesse ponto que está uma das principais diferenças entre as duas propostas. Enquanto o texto defendido por Lula determina que a diminuição da jornada não poderá resultar em corte salarial, a proposta apoiada por Flávio estabelece uma relação direta entre quantidade de horas trabalhadas e valor recebido pelo trabalhador.

Flávio tem defendido publicamente a proposta e se recusado a antecipar se votará contra ou a favor da PEC que encerra a escala 6x1.

"O meu posicionamento é que eu tenho uma proposta infinitamente melhor, que é a da liberdade para o trabalhador escolher a sua própria carga horária", afirmou o senador na terça-feira (06/10).

O candidato também critica a proposta apoiada por Lula e afirma que uma redução geral da jornada sem alteração correspondente na remuneração poderia gerar efeitos negativos sobre as empresas e o mercado de trabalho.

Na quarta-feira (07/10), Flávio voltou a acusar o presidente de utilizar a pauta com finalidade eleitoral e afirmou que Lula estaria tratando do assunto pensando na disputa pelo segundo turno.

Duas propostas, impactos diferentes

As propostas colocadas pelos dois grupos apresentam diferenças diretas para o trabalhador.

No modelo defendido por Lula, a jornada máxima cairia de 44 para 40 horas semanais, com dois dias de descanso e manutenção do salário. A redução seria gradual, começando com o limite de 42 horas e chegando às 40 horas após um ano e dois meses da publicação da emenda.

Já o texto associado a Flávio permite que a redução da jornada seja acompanhada de redução proporcional do salário. Assim, quanto menor a quantidade de horas trabalhadas no regime previsto pela proposta, menor seria também a remuneração correspondente.

A divergência ocorre justamente às vésperas da votação no Senado e em meio à disputa presidencial. O governo tenta concluir a análise da PEC da 6x1 antes do segundo turno, enquanto a oposição busca postergar a decisão para depois da eleição.

Senado ainda discute calendário

A PEC 221/2019 está na fase de discussão no plenário do Senado. A terceira sessão ocorre nesta quinta-feira (08/10), depois das sessões realizadas na terça-feira (06/10) e na quarta-feira (07/10).

O calendário prevê mais duas sessões na próxima semana, nos dias 13 e 14/10. Existe a expectativa de que o primeiro turno seja votado em 15/10, mas a data ainda não foi confirmada.

Para ser aprovada, a PEC precisa de pelo menos 49 votos favoráveis entre os 81 senadores. Depois do primeiro turno, ainda são necessárias três sessões de discussão e uma nova votação, com intervalo regimental de cinco dias úteis entre as duas etapas.

O plenário pode, contudo, aprovar um calendário especial e reduzir os prazos previstos no rito normal.

A disputa sobre o calendário acompanha uma divergência mais ampla entre os dois candidatos. Lula defende a redução da jornada com preservação integral dos salários, enquanto Flávio apoia uma alternativa em que menos horas trabalhadas podem significar também menor remuneração.

Foto do Jornalista

Rayza Espírito Santo

Redatora, repórter de editorias diversas, social media e fotojornalista.

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