Eleições 2026: segundo turno no Brasil e novos eleitos no Rio
Eleições 2026: Brasil vai ao 2º turno e Rio define seus eleitos
Presidência vai ao segundo turno, Rio aguarda decisão do TSE e urnas redesenham Congresso, Senado, bancada fluminense e Alerj.
Atualizado há 22 minutos
ELEIÇÕES 2026 — O DIA SEGUINTE ÀS URNAS
O domingo de 4 de outubro terminou, mas a eleição de 2026 ainda está longe do fim. No cenário nacional, Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disputarão a Presidência da República no segundo turno, marcado para 25 de outubro.
Com 99,99% das urnas apuradas, Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno na liderança, com 56.104.268 votos, equivalentes a 47,03% dos votos válidos. Lula recebeu 53.876.617 votos, ou 45,16%. Como nenhum dos candidatos ultrapassou a metade dos votos válidos, a eleição presidencial será decidida novamente nas urnas.
A diferença entre os dois primeiros colocados foi de aproximadamente 2,23 milhões de votos, o que coloca as próximas semanas no centro das articulações nacionais. Os dois candidatos entram agora em uma nova etapa da campanha, em busca dos eleitores que escolheram outros nomes no primeiro turno e daqueles que não compareceram às urnas.
Após definir os dois finalistas para o Palácio do Planalto, o primeiro turno redesenhou a correlação de forças no Congresso Nacional.
PL terá a maior bancada da Câmara
O PL elegeu 121 deputados federais e passará a ter a maior bancada da Câmara dos Deputados a partir de 1º de fevereiro de 2027. O resultado representa crescimento em relação à eleição anterior.
A segunda maior força será a Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, com 88 deputados eleitos.
A nova composição deverá ter peso decisivo na relação entre Executivo e Legislativo durante os próximos quatro anos. Independentemente do vencedor da disputa presidencial, a formação de maiorias no Congresso continuará exigindo articulação entre diferentes partidos e bancadas.
Senado também terá forte presença do PL
No Senado, onde 54 das 81 cadeiras estavam em disputa este ano, o PL elegeu 19 senadores.
Somados aos parlamentares que ainda possuem mandato, o partido deverá iniciar 2027 com 28 senadores, formando a maior bancada partidária no início de uma legislatura desde a Constituição de 1988. O PT deverá ter nove integrantes e o MDB, oito.
Os senadores escolhidos neste ano terão mandatos de oito anos, de fevereiro de 2027 a janeiro de 2035.
RIO DE JANEIRO: RESULTADO PARA GOVERNADOR AINDA ESTÁ NAS MÃOS DO TSE
Se no cenário nacional o segundo turno está confirmado, no Rio de Janeiro a situação ganhou um componente jurídico que poderá modificar o resultado anunciado na noite de domingo.
Na totalização apresentada após a eleição, Douglas Ruas (PL) ficou em primeiro lugar, com 4.271.199 votos, ou 49,27%, seguido por Eduardo Paes (PSD), com 3.706.984 votos, ou 42,76%.
O terceiro colocado, Anthony Garotinho (Republicanos), recebeu 274.411 votos, correspondentes a 3,17%. O problema é que sua candidatura estava com o registro indeferido e seus votos foram lançados como anulados sub judice.
Antes mesmo da votação, em 2 de outubro, o ministro Floriano de Azevedo Marques, do Tribunal Superior Eleitoral, havia determinado que os votos dados a Garotinho não fossem considerados válidos enquanto permanecesse o indeferimento de sua candidatura.
Na segunda-feira, 5 de outubro, Garotinho desistiu do recurso que mantinha no TSE contra o indeferimento.
O relator abriu prazo de dois dias para que a Procuradoria-Geral Eleitoral se manifeste antes de decidir sobre o pedido. Até que haja uma decisão definitiva e eventual nova totalização, o segundo turno entre Douglas Ruas e Eduardo Paes permanece formalmente previsto para 25 de outubro.
A decisão pode, entretanto, mudar completamente o quadro eleitoral.
Se os 274.411 votos de Garotinho forem definitivamente anulados, eles deixarão de integrar o universo dos votos válidos. Nesse novo cálculo, Douglas Ruas passaria dos atuais 49,27% para aproximadamente 50,88% dos votos válidos.
Com mais da metade dos votos válidos, Ruas preencheria o requisito constitucional para vencer a eleição no primeiro turno. Nesse cenário, uma nova totalização poderá resultar em sua proclamação como governador eleito e não haverá segundo turno para o Governo do Rio.
Por isso, neste momento, o resultado para governador do Rio precisa ser tratado com cautela: o estado aguarda primeiro uma decisão da Justiça Eleitoral sobre os votos de Garotinho.
SENADO: PORTINHO E JORDY CONQUISTAM AS DUAS VAGAS DO RIO
No Senado, não há a mesma indefinição.
O Rio de Janeiro elegeu Carlos Portinho e Carlos Jordy, ambos do PL, para as duas vagas em disputa.
Com 100% das urnas apuradas, Portinho terminou com 26,77% dos votos válidos e Jordy com 24,56%. Benedita da Silva (PT), que aparecia competitiva e chegou à reta final liderando algumas pesquisas, terminou em terceiro lugar, com 20,22%.
Portinho foi reeleito e Jordy deixa a Câmara dos Deputados para assumir sua primeira cadeira no Senado. Os mandatos começam em 1º de fevereiro de 2027 e seguem até 31 de janeiro de 2035.
A eleição dos dois candidatos também reforça numericamente a presença do PL na representação fluminense no Congresso.
CÂMARA FEDERAL: PL ELEGE 15 DOS 46 DEPUTADOS DO RIO
O Rio de Janeiro terá 46 deputados federais na próxima legislatura.
O PL conquistou a maior bancada do estado, com 15 deputados. O PT elegeu seis; PP, cinco; PSOL, PSDB e PSD, quatro cada; PCdoB, dois; e União Brasil, MDB, Solidariedade, Novo, Republicanos e PDT, um representante cada.
O deputado mais votado no estado foi Dr. Luizinho (PP), com 213.904 votos, seguido por Rick Azevedo (PSOL), Lindbergh (PT), Luciano Vieira (PSDB) e Altineu Cortes (PL).
Os 46 deputados federais eleitos pelo Rio
- Dr. Luizinho (PP) — 213.904
- Rick Azevedo (PSOL) — 191.371
- Lindbergh (PT) — 181.768
- Luciano Vieira (PSDB) — 177.887
- Altineu Cortes (PL) — 175.161
- Freixo (PT) — 172.969
- Sóstenes Cavalcante (PL) — 170.290
- Rueda (União) — 155.836
- Anielle Franco (PT) — 149.726
- General Pazuello (PL) — 146.148
- Gutemberg Reis (MDB) — 145.876
- Soraya Santos (PL) — 141.443
- Aureo Ribeiro (Solidariedade) — 134.557
- Delegado Felipe Curi (PP) — 133.626
- Talíria Petrone (PSOL) — 122.500
- Manoela Peres (PL) — 117.648
- Dani Cunha (PL) — 116.984
- Daniel Soranz (PSD) — 107.849
- Julia de Castro (PL) — 103.880
- Elias Jabbour (PCdoB) — 103.219
- Diogo Balieiro Diniz (PL) — 102.026
- Renan Ferreirinha (PSD) — 93.504
- Rafael Satiê (PL) — 91.074
- Glauber Braga (PSOL) — 86.314
- Renato Cozzolino (PP) — 84.516
- Fabiano Horta (PT) — 82.902
- Chris Tonietto (PL) — 81.966
- Poubel (PL) — 81.960
- Wladimir Garotinho (PL) — 81.797
- Douglas Gomes (PL) — 80.310
- Luiz Lima (Novo) — 79.249
- Pastor Henrique Vieira (PSOL) — 77.584
- Márcio Rezende (PSD) — 75.148
- Jandira Feghali (PCdoB) — 74.409
- Leniel Borel (PP) — 72.658
- Luis Carlos Gomes (Republicanos) — 70.331
- Marcos Tavares (PDT) — 69.438
- Diego Quaquá (PT) — 68.798
- Marcio Ribeiro (PSD) — 67.989
- Thiago Gagliasso (PL) — 67.700
- Nísia Trindade (PT) — 67.350
- Jorge Miranda (PL) — 67.298
- Juninho do Pneu (PSDB) — 64.440
- Marcelo Queiroz (PSDB) — 58.739
- Bebeto (PP) — 52.761
- Talita Galhardo (PSDB) — 46.780.
A relação corresponde à totalização atualmente divulgada pela Justiça Eleitoral. Como ocorre em eleições proporcionais, decisões posteriores envolvendo candidaturas sub judice podem provocar retotalizações e alterar a distribuição de cadeiras.
Para Maricá, dois nomes têm especial significado: Fabiano Horta, ex-prefeito do município, conquistou uma cadeira com 82.902 votos, e Diego Quaquá foi eleito com 68.798 votos.
ALERJ: Os 70 deputados estaduais eleitos no Rio
A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro terá 70 parlamentares na legislatura 2027–2030. O PL conquistou a maior bancada, com 21 cadeiras. A composição atual tem ainda nove deputados do PT, nove do PSD, cinco do PSOL, cinco do PP, quatro do União Brasil, três do Republicanos, dois do MDB, dois do PDT, dois do Solidariedade, dois do PSB e um representante de PCdoB, Novo, PSDB, Agir, PRD e DC.
A renovação da Casa chegou a 40%, com 28 novos deputados na legislatura que começa em 2027.
A deputada mais votada foi Índia Armelau (PL), com 248.504 votos. Em seguida ficaram Márcio Canella (União Brasil), com 197.178; Renata Souza (PSOL), com 176.871; Dani Balbi (PCdoB), com 169.474; e Guilherme Delaroli (PL), com 166.374 votos.
Entre os deputados reeleitos está Zeidan (PT), que permanecerá na Alerj na próxima legislatura.
Também de Maricá, o deputado estadual Renato Machado (PT) recebeu 48.300 votos em todo o estado, sendo 13.536 em Maricá. Sua candidatura, porém, permanece sub judice, com o registro indeferido no TRE-RJ e recurso pendente no TSE. Caso os votos sejam validados, a composição da Alerj poderá sofrer nova totalização das vagas, antes da diplomação.
Confira os eleitos, pela ordem de votação:
- Índia Armelau (PL) — 248.504 votos
- Márcio Canella (União) — 197.178
- Renata Souza (PSOL) — 176.871
- Dani Balbi (PCdoB) — 169.474
- Guilherme Delaroli (PL) — 166.374
- Rosenverg Reis (MDB) — 139.866
- Elika Takimoto (PT) — 135.271
- Anderson Moraes (PL) — 129.325
- Costenaro (Novo) — 121.780
- Dra. Gabriela (PL) — 96.267
- Flávio Serafini (PSOL) — 95.666
- Felipinho Ravis (PP) — 93.606
- Alan Lopes (PL) — 93.396
- João Pires (PSD) — 90.195
- Verônica Lima (PT) — 85.421
- Alexandre Isquierdo Malafaia (PL) — 83.461
- Fernanda Neves (PDT) — 83.326
- Rafael Nobre (União) — 76.706
- Jair Bittencourt (PL) — 73.722
- Léo Vieira Filho (PSDB) — 72.939
- André Ceciliano (PT) — 70.628
- Nelsinho Ruas (PL) — 70.552
- Bruno Dauaire (União) — 69.119
- Marina do MST (PT) — 66.167
- Rodrigo Medeiros (PL) — 65.530
- André Corrêa (PSD) — 65.188
- Carlinhos BNH (PP) — 61.724
- Felipe Pampolha (PP) — 61.589
- Jorge Felippe Neto (PL) — 58.508
- Delegado Carlos Augusto (PL) — 58.142
- Marcelo Dino (PL) — 57.982
- Librelon (Republicanos) — 57.409
- Dr. Pedro Ricardo (PL) — 57.354
- Delegado Bernardo Leal (PP) — 57.254
- Claudio Caiado (PSD) — 56.936
- Gustavo Tutuca (PP) — 56.334
- Renato Miranda (PL) — 56.329
- Dani Monteiro (PSOL) — 55.227
- Guilherme Schleder (PSD) — 54.760
- Munir Neto (Solidariedade) — 52.808
- Julio Rocha (Agir) — 51.609
- Allyson Elias (PT) — 51.145
- Márcio Gualberto (PL) — 50.804
- Chico Machado (PL) — 50.664
- Vinícius Cozzolino (PSD) — 49.353
- Leandro (Republicanos) — 49.013
- Tia Ju (Republicanos) — 47.302
- Coronel Menezes (PL) — 46.700
- Rafael Picciani (União) — 46.686
- Giovani Ratinho (MDB) — 46.380
- Luciana Boiteux (PSOL) — 44.928
- Leonel de Esquerda (PT) — 44.597
- Giselle Monteiro (PL) — 44.532
- Luiz Paulo (PSD) — 43.720
- Serginho (PDT) — 43.664
- Ana Paula Mendes (PSD) — 43.356
- Yuri Moura (PSOL) — 43.336
- Zeidan (PT) — 43.115
- Poubel Filho (PL) — 42.871
- Daniel Marques (PL) — 42.768
- Adilson Pires (PT) — 42.467
- Felipe Tropa (PL) — 41.293
- Carla Machado (PSD) — 39.208
- Vantoil Martins (PSB) — 39.179
- Soldado Tobias (PRD) — 37.969
- Joyce Trindade (PSD) — 37.088
- Arthur Monteiro (Solidariedade) — 35.844
- Jari (PSB) — 34.199
- Raone Ferreira (PT) — 28.377
- Carlos Russo (DC) — 27.447.
Composição ainda pode mudar
A relação corresponde à atual totalização da Justiça Eleitoral. Recursos envolvendo candidatos com votos anulados sub judice ainda podem provocar nova totalização e alterar tanto a distribuição das cadeiras entre os partidos quanto alguns dos nomes hoje considerados eleitos.
O DIA SEGUINTE: NOVOS VOOS E NOVAS ESTRATÉGIAS
A eleição termina para alguns candidatos na abertura das urnas, mas o calendário político praticamente nunca termina.
Para quem conquistou um mandato, o dia seguinte marca o início de uma nova etapa. Começam as articulações para ocupar espaços nas bancadas, comissões e lideranças partidárias, além da construção de novas alianças políticas.
Uma votação expressiva também pode projetar deputados estaduais para a Câmara Federal, deputados federais para o Senado, governos estaduais ou outros espaços nas eleições seguintes.
Do outro lado, candidatos que não conseguiram se eleger iniciam outro processo: identificar onde perderam apoio, avaliar alianças, comparar a votação entre regiões e municípios e decidir como preservar ou reconstruir seu capital político para 2028 e 2030.
As urnas de 2026, portanto, não determinaram apenas quem venceu e quem perdeu.
Elas também estabeleceram novos pontos de partida.
Para os vitoriosos, é hora de preparar as malas para voos maiores no cenário político. Para aqueles que ficaram pelo caminho, começa o período de interpretar a mensagem das urnas, reorganizar forças e construir os próximos passos.
E, no Rio de Janeiro, esse dia seguinte guarda ainda uma particularidade: enquanto deputados e senadores eleitos já começam a planejar seus mandatos, a principal disputa estadual continua dependendo de uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral capaz de definir se os fluminenses voltarão — ou não — às urnas para escolher o próximo governador.

Paulo Celestino
Paulo Celestino, jornalista e produtor audiovisual com um longo histórico de contribuições para a mídia e cultura. Jornal Gazeta do Leste Fluminense, fundador de rádios locais. Idealizador dos sites gazeta24horasrio.com.br e sicomfilmes.com.br
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