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Imagem da notícia Foto: Divulgação

Listas de boicote a petistas entram na mira do Ministério Público

Comissário da Polícia Civil do Rio alerta para a responsabilização criminal e compara o mecanismo de exclusão econômica a práticas da Alemanha nazista.

Atualizado há 1 horas

A circulação de listas com nomes de comerciantes, profissionais e trabalhadores apontados como apoiadores de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) provocou denúncias de perseguição política após as eleições de 2026. Publicações de políticos e influenciadores digitais incentivam boicotes a estabelecimentos e até a demissão de funcionários por suas preferências eleitorais, em uma onda de manifestações que passou a ser acompanhada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT).

Segundo dados divulgados pelo órgão, 2.177 denúncias de assédio eleitoral haviam sido registradas em 2026, das quais mais de 427 foram apresentadas após o resultado da eleição presidencial. O número corresponde a aproximadamente 19,6% do total informado.

Entre os casos que ganharam repercussão está o da deputada estadual do Rio de Janeiro Índia Armelau (PL). Na terça-feira (27/10), o MPT-RJ ajuizou uma ação civil pública contra a parlamentar, pedindo R$ 500 mil por dano moral coletivo. A medida foi motivada por uma publicação que orientava empresários a verificar as redes sociais dos funcionários para identificar possíveis apoiadores de Lula e questionava a permanência desses trabalhadores nas empresas.

O Ministério Público considera que a mensagem pode estimular assédio eleitoral e discriminação por convicção política. Em caráter de urgência, o órgão pediu que a deputada deixe de incentivar demissões e perseguições, retire a publicação do ar e divulgue um comunicado esclarecendo que trabalhadores têm liberdade para escolher seus candidatos. O pedido ainda depende de decisão judicial.

Outros políticos também publicaram mensagens semelhantes. A vereadora de Londrina Jessicão (PL) defendeu a demissão de funcionários petistas, enquanto o vereador de Curitiba Guilherme Kilter (Novo), eleito deputado federal, sugeriu que empresários começassem por trabalhadores petistas em eventuais cortes de gastos. O MPT informou que analisa casos desse tipo.

Listas de comerciantes e profissionais

Além das relações de trabalho, a campanha de boicote alcançou estabelecimentos comerciais e prestadores de serviços. Influenciadores divulgaram listas de restaurantes e empresas supostamente ligados a apoiadores do presidente reeleito e convocaram seguidores a evitar esses negócios.

A circulação de listas foi registrada em diferentes cidades do Rio Grande do Sul, de São Paulo, do Paraná, do Rio de Janeiro e de outros estados. Em Nova Petrópolis (RS), mais de 30 pessoas procuraram a Polícia Civil após a divulgação de uma relação que classificava os citados de forma ofensiva e sugeria boicotes. A polícia registrou ocorrências e iniciou apurações.

No Rio Grande do Sul, a deputada estadual reeleita Luciana Genro (PSOL) denunciou ameaças e relatos de demissões motivadas por preferências eleitorais. Ela orientou trabalhadores que enfrentam pressão ou retaliação a procurar o Ministério Público do Trabalho.

A prática também levanta dúvidas sobre a veracidade das listas. A inclusão de nomes não comprova que os comerciantes ou profissionais tenham apoiado Lula, e associações sem confirmação podem ampliar os prejuízos econômicos e a exposição dos envolvidos.

A Lei nº 9.029/1995 proíbe práticas discriminatórias que restrinjam o acesso ou a manutenção do emprego. Segundo o MPT, trabalhadores não podem ser punidos por suas escolhas eleitorais, e pessoas que incentivem demissões discriminatórias também podem ser responsabilizadas, conforme as circunstâncias.

Comissário alerta para possíveis crimes

O produtor de conteúdo digital, palestrante, músico e comissário da Polícia Civil do Rio de Janeiro Carlos de Souza Graça Aranha, conhecido nas redes sociais como Comissário Aranha, criticou a divulgação das listas e alertou para as possíveis consequências legais da prática.

"Isso é crime. E não é pouco, não. Até o Ministério Público já está ciente. (...) Quem já publicou e espalhou, dá pra identificar e chegar atrás para responsabilizar criminalmente", afirmou.

Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

O comissário também estabeleceu uma associação histórica entre a exposição de pessoas por suas convicções e o boicote econômico promovido contra estabelecimentos de judeus na Alemanha nazista, em 1933.

"Isso aí era uma prática comum sabe onde? Na Alemanha lá do homem do bigode, que eu não quero falar o nome pra (Meta) não derrubar (o vídeo), na Segunda Guerra Mundial. Lá começou com listinhas colocadas em postes, que era o que tinha na época. Depois começaram a marcar com um X os estabelecimentos comerciais dos judeus e o resto da história vocês sabem, né", concluiu.

Foto do Jornalista

Rayza Espírito Santo

Redatora, repórter de editorias diversas, social media e fotojornalista.

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